A delícia de ser você mesmo!

por AnaLu Oliveira

Eu nunca pensei que um dia seria elogiada por ser magra. Nunca pensei que um dia tatuaria uma frase da Legião Urbana - uma banda que ouvi muito na infância, por ter pais que amam Legião, mas que só aprendi a gostar depois de adulta. Jamais passou pela minha cabeça que chegaria o momento em que cortar o cabelo bem curtinho seria algo normal pra mim.

Hoje, aos 31 anos, vejo que muita coisa que fiz representou o rompimento de muitas crenças limitantes. O mestrado, a tatuagem, minha união estável, a aceitação do meu corpo gordo e do meu cabelo cacheado. Não é fácil ultrapassar tais barreiras, que costumam ser bastante sólidas e até mesmo naturalizadas em nossa sociedade.

Lembro que quando eu emagreci 18 quilos em 10 meses, fui muito elogiada. E quem não gosta de elogios, não é mesmo? Eu, que tive problemas com autoestima, me vi rodeada de pessoas que me elogiavam por ter sido persistente, por ter vencido a batalha contra a gordura (gordofobia? imagina! #ironia).

Para essas pessoas, o corpo magro me daria saúde, me daria marido, me daria a beleza digna de admiração. Poucos quiseram saber o motivo da magreza repentina, a mudança de hábitos, o que aquilo me custou. Eu tinha saído de um relacionamento abusivo, não estava nem sonhando em casar. Eu só não queria ficar diabética.

Uma amiga decidiu se separar, após anos de abusos e agressões físicas. Ela teve o apoio de poucas pessoas, pois a maioria achou melhor forçá-la a permanecer em uma relação falida em nome dos filhos, da distância dos familiares, da ideia de que a família é mais importante que tudo. Ela, que veio de uma família cheia de pessoas firmes em relações falidas, fez diferente e se separou.

Uma outra amiga foi mãe em abril deste ano e se preparou para o parto normal. Ouviu diversas vezes que não daria conta de parir, que seu filho era grande demais e que não era seguro parir pelo SUS. Como se já não bastasse a luta contra o sistema cesarista brasileiro, ela teve a sua luta e resistência também no âmbito familiar. Ela pariu e o filho que era grande demais para um parto normal e hoje é um lindo bebê de 7 meses.

Romper essas barreiras requer coragem, requer disposição. Pode requerer terapia também. Mas, se faz sentido para você ser o destoante da família, do grupo de amigos, da sociedade em geral, que seja assim! Te digo que não é fácil, mas é maravilhoso descobrir o quão capazes somos em viver com autenticidade. Por vezes, você vai chorar por não se enquadrar em padrões impostos ou por tomar decisões que só gerarão críticas. Vai ter dias que o cansaço baterá forte. Mas, ser você mesmo não tem preço e isso você também vai perceber.

Queria muito que a Ana Luiza de 20 anos atrás soubesse disso. Porém, agradeço por ser a Ana Luiza que escreve isso com base em suas próprias experiências. De maneira tranquila, leve e autêntica, hoje eu sou muito mais eu. E me amo muito por isso! Já dizia Caetano:

“cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”

E você, já descobriu como é?

Foto: StockSnap | Pixabay

Comentários

  1. Trem lindo da vida! Adorei o texto! ������������

    Deh

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  2. Minhas palmas saíram como interrogações kkkkk

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