Como fui parar no minimalismo

por Helen Fernanda

Não me considero um exemplo de pessoa minimalista, ao contrário. Meu cérebro é hiperativo, tropeço nas palavras por ter um raciocínio acelerado, tenho tendência ao colecionismo, sou diletante em vários assuntos e aos 32 anos já acumulei conhecimentos e habilidades de umas 10 profissões diferentes sem aprender a ganhar dinheiro com nenhuma delas. Resumindo, sou um exemplo perfeito do que não é minimalismo e é exatamente por isso que o minimalismo é tão importante pra mim.

Pode parecer um paradoxo, mas se você conhece as histórias de outros minimalistas já notou que quem chega a esse estilo de vida geralmente está buscando a própria cura em um mundo onde o consumo, o pensamento acelerado e a produtividade são supervalorizados ao ponto de nos adoecer.

Simplicidade voluntária

Meu primeiro contato com algo nesse sentido foi em março de 2007, no blog do Marco Gomes. Ele escreveu sobre simplicidade voluntária e eu fiquei encantada com a ideia. Me pareceu um modo inteligente e saudável de viver.

Mas na época eu era muito pobre, morava de favor com uma tia, trabalhava como webdesigner/digitadora/revisora em uma agência que nunca me pagou. O pouco que eu ganhava revendendo cosméticos eu usava para me inscrever em concursos públicos.

Minha rotina também não me dava muita margem para complicações. Eu trabalhava durante o dia, estudava para concursos à noite, frequentava a igreja e as reuniões da Natura no fim de semana, dependia do SUS para fazer consultas e exames… Eu já tinha uma vida muito simples por ter poucas opções, então a simplicidade voluntária estava longe de fazer sentido no meu contexto.

Complicando a própria vida

Foi só em 2011, quando eu já era servidora pública e tinha uma vida bem mais confortável, que eu comecei a complicar minha própria vida. Mesmo ganhando o suficiente para uma mulher solteira, sem carro, sem dependentes e que ia a pé para o trabalho, eu tinha conseguido a proeza de me endividar.

Com isso descobri, aqui na internet, a tal da educação financeira, algo que nunca recebi em casa e muito menos na escola. Lendo vários blogs que ensinavam a fazer planilha de gastos, comprar menos por impulso, não aceitar limite de cheque especial, não usar cartão de crédito de qualquer jeito… acabei topando com o conceito de minimalismo.

Notei também que o minimalismo tinha muito em comum com a simplicidade voluntária, sobre a qual eu tinha lido anos atrás no blog do Marco Gomes. E foi só nessa época que o texto dele realmente fez sentido pra mim. Depois de complicar minha vida, eu precisava simplificar ela de novo, voluntariamente.

Não é sobre dinheiro

Apesar de ter topado com o conceito buscando orientação financeira, o minimalismo não é só sobre dinheiro.

Minimalismo é sobre descobrir o que é essencial e priorizar esse essencial. Por isso, um minimalista sabe qual é seu propósito de vida e otimiza o usa do dinheiro, do espaço, das coisas, das palavras, da energia vital, dos recursos naturais e, principalmente, de um bem irrecuperável chamado tempo.

Para outras pessoas o caminho é inverso. Acumularam tanto ao longo da vida que até se esqueceram quais eram suas prioridades, então primeiro elas precisam se livrar dos excessos para encontrar o que é essencial e redescobrir seu propósito de vida.

O essencial pra cada um

É impossível ser um minimalista sem praticar a introspecção porque não existem respostas universais. O que existem são sugestões de caminhos para que cada um encontre suas próprias respostas.

De forma resumida, um minimalista não gasta dinheiro com o que não precisa, não ingere substâncias que não alimentam, não perde tempo com o que não traz realização.

É um estilo de vida que nos tira do piloto automático e nos leva a viver de forma consciente, calculando a necessidade e as consequências de cada ato.

É por isso que volto a falar mais sobre minha experiência com minimalismo em vários aspectos da vida, inclusive como aplico isso ao meu trabalho e à minha rotina .

Até a próxima quarta-feira!

Fotos: Pixabay

Comentários

  1. Respostas
    1. IzeBM, muito obrigada pelo comentário! Me deixa mais motivada a escrever o próximo. Valeu! 😉

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  2. Adorei seu texto. Muito bom mesmo. Vou ler mais sobre minimalismo, agora que estou numa fase, digamos , mais "zen" e com prioridades mais definidas.

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    1. É legal. A gente vai se sentindo mais leve e ao mesmo tempo mais satisfeito com o que já tem. :)

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  3. Helen, seu texto ficou maravilhoso. Me fez repensar em como minha vida mudou desde que vim morar fora. Talvez eu até escreva sobre isso pra dar uma certa continuidade ao "minimalismo". Beijos e até o próximo texto. =)

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    1. Que bom que gostou! Acompanhando sua trajetória de vida eu realmente tive essa impressão que você tinha se desapegado de muita coisa aqui no Brasil para encontrar o que era essencial pra você e também seu propósito de vida. ♥

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